Nesta quinta-feira, os preços do ouro recuaram depois que os investidores reavaliaram a mensagem do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh. Apesar da pausa na política monetária, as expectativas de inflação, o fortalecimento do dólar e a recuperação dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA voltaram a pressionar o metal precioso.
Os riscos geopolíticos no Oriente Médio também se intensificaram, enquanto os mercados se preparam para a divulgação de importantes indicadores de inflação dos Estados Unidos e para as decisões dos bancos centrais.
A pausa do Fed inicialmente deu suporte aos metais preciosos: os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA recuaram ligeiramente, e o índice do dólar norte-americano enfraqueceu após o comunicado do Fed, o que melhorou temporariamente a atratividade do ouro. No entanto, esse efeito durou pouco. Os investidores analisaram as declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh, de que a instituição continua comprometida em trazer a inflação de volta à meta de longo prazo de 2%, mesmo mantendo a política monetária inalterada, o que reduziu o interesse por ativos de alto preço que não oferecem rendimento.
O Índice do Dólar dos EUA ficou praticamente inalterado em torno de 100,9, enquanto os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos se recuperaram das mínimas registradas após a decisão. Essas dinâmicas limitaram novas altas do metal.
De acordo com o CME FedWatch, os mercados estão agora precificando uma probabilidade de cerca de 64% de um aumento da taxa de juros pelo Fed em setembro, uma queda em relação aos cerca de 81% registrados antes do anúncio da decisão de política monetária.
Os investidores também acompanharam uma nova escalada das tensões no Oriente Médio, após os Estados Unidos lançarem ataques contra o Irã durante a noite. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) descreveu os ataques como uma "resposta contundente" ao que classificou como tentativas do Irã de atingir forças norte-americanas no dia anterior. O presidente Donald Trump havia alertado para uma retaliação decisiva, afirmando que os Estados Unidos responderiam com firmeza ao que foi descrito como um ataque iraniano "inesperado".
A escalada impulsionou os preços do petróleo à medida que os investidores reavaliaram o risco de interrupções no fornecimento. As preocupações com o transporte marítimo também se intensificaram: as forças houthis apoiadas pelo Irã alertaram para possíveis ataques contra embarcações sauditas que tentassem navegar em direção ao Oceano Índico, levando alguns petroleiros a buscar rotas alternativas.
A alta dos preços da energia reforçou as preocupações de que a inflação possa permanecer persistente, complicando a tarefa do Fed de flexibilizar a política monetária.
Os investidores agora aguardam a divulgação do índice de preços PCE dos Estados Unidos, indicador de inflação preferido do Fed, prevista para quinta-feira, em busca de novos sinais sobre as perspectivas para a inflação e a provável trajetória das taxas de juros.
A atenção do mercado também estará voltada para as decisões de política monetária do Banco da Inglaterra e do Banco do Japão, previstas para o fim desta semana. A expectativa é que ambas as instituições mantenham as taxas de juros inalteradas.
LINKS RÁPIDOS