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EUR/USD:Efeito de perdas mútuas: por que o mercado ignora a troca de ataques entre Estados Unidos e Irã?
12:13 2026-05-28 UTC--4

O par euro/dólar atingiu hoje a mínima da semana em resposta à escalada das tensões no Oriente Médio. Apesar das intensas discussões sobre um possível "memorando de entendimento", Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques, lançando novas dúvidas sobre as perspectivas do processo diplomático.

Segundo a CNN, forças dos EUA realizaram um ataque aéreo contra um alvo militar em território iraniano depois de Teerã ter lançado quatro drones de ataque contra um navio mercante com bandeira americana. As forças norte-americanas interceptaram os veículos aéreos não tripulados e, em seguida, atingiram um lançador terrestre de UAVs na região de Bandar Abbas, impedindo um quinto lançamento.

O Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, por sua vez, afirmou ter retaliado com um ataque a uma base aérea dos EUA no Kuwait, de onde alegadamente teria partido a ofensiva contra o Irã.

Em reação ao incidente, os traders levaram o EUR/USD à mínima da semana, testando a região de 1,15 e chegando a negociar em 1,1587. No entanto, os vendedores não conseguiram sustentar o movimento — já no início da sessão europeia o par voltou para a faixa de 1,16, onde permanece negociado pelo quarto dia consecutivo.

Isso sugere que vender abaixo da faixa entre 1,1610 e 1,1670 continua a ser arriscado, mesmo num ambiente de maior aversão ao risco. A julgar pela reação do mercado, os investidores ainda trabalham com um cenário de escalada limitada e de continuidade da via diplomática entre os EUA e o Irã. Apesar da troca de ataques desta quinta-feira, o petróleo sobe apenas moderadamente e a procura por ativos de refúgio, incluindo o dólar, continua relativamente contida. Tudo isso indica que os participantes do mercado ainda não interpretam o incidente como o início de uma nova escalada militar em grande escala.

O que explica essa relativa resiliência do mercado? Em grande medida, o fato de que o processo de negociações ainda não foi irreversivelmente comprometido. Para ambos os países, uma nova fase de confrontos militares em larga escala representaria um cenário de perdas mútuas, no qual os custos políticos e econômicos superariam amplamente quaisquer possíveis ganhos.

Os Estados Unidos, por exemplo, enfrentam o risco de estagflação em meio à aceleração da inflação medida pelos índices CPI e PCE, combinada com o abrandamento do crescimento do PIB. Em caso de retomada plena das hostilidades, o Brent poderia subir para a faixa entre US$110 e US$120 por barril, com consequências evidentes: juros mais altos por parte do Federal Reserve, maior risco de recessão e deterioração das condições financeiras. Também é importante lembrar que as eleições legislativas de meio de mandato ocorrerão em novembro, e a Casa Branca precisa demonstrar êxitos diplomáticos — não envolver o país em mais uma "guerra interminável" no Oriente Médio. Uma campanha militar prolongada, especialmente terrestre, poderia custar à administração Trump o apoio de eleitores moderados, sensíveis tanto ao preço dos combustíveis quanto às baixas militares.

Uma guerra em grande escala também seria desfavorável ao Irã, sobretudo devido à vulnerabilidade econômica do país. A República Islâmica depende fortemente das exportações de petróleo e das rotas de comércio externo; assim, um bloqueio prolongado do Estreito de Ormuz — usado por Teerã como instrumento de pressão — acabaria por prejudicar o próprio Irã. Sem receitas petrolíferas e sob inflação descontrolada, o rial corre risco de colapso, o que poderia paralisar o mercado interno. Além disso, uma guerra prolongada aumentaria significativamente o risco de destruição da infraestrutura energética iraniana, construída ao longo de décadas. Apesar do vasto arsenal de mísseis balísticos e drones do Irã, as forças militares americanas continuam capazes de neutralizar infraestruturas críticas de petróleo e gás.

Por esses motivos, grande parte dos participantes do mercado acredita que os negociadores acabarão por encontrar um terreno comum e chegar a um acordo mutuamente oneroso, mas estabilizador. Além disso, mediadores no Paquistão e em Omã confirmaram preparativos para novos contactos entre Washington e Teerã, e ambas as partes continuam a admitir a possibilidade de um entendimento relacionado ao programa nuclear.

A reação relativamente moderada dos mercados nesta quinta-feira mostra que os investidores não esperam um "final feliz" imediato, com a rápida reabertura do Estreito de Ormuz, mas continuam a considerar a desescalada como cenário base.

Os participantes do mercado já se adaptaram a episódios de "escalada controlada": as trocas de ataques são vistas mais como instrumentos de pressão nas negociações do que como abandono definitivo de um acordo.

Por esse motivo, os traders mostram-se relutantes em abrir grandes posições direcionais, seja a favor do dólar como ativo de refúgio, seja a favor do euro como ativo de risco. Assim, é provável que o EUR/USD continue a oscilar dentro do intervalo entre 1,1610 e 1,1670 — correspondentes às bandas inferior e superior de Bollinger no gráfico de quatro horas — até que o conflito no Oriente Médio encontre uma resolução mais clara. Nessas condições, pode ser prudente considerar posições de compra e venda próximas aos limites desse intervalo.

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