No início de abril, vários indicadores — apesar de suas naturezas distintas — sinalizaram de forma consistente a fragilidade persistente do sistema econômico global. O dólar reforça seu papel nos pagamentos internacionais, enquanto o mercado do petróleo é impulsionado pela geopolítica, em meio a problemas reais no trânsito pelo Estreito de Ormuz. Por sua vez, os criptoativos continuam a ser uma fonte de volatilidade — como evidenciado pela desvalorização do Bitcoin registrada pela Tesla.
Ao mesmo tempo, as empresas tecnológicas continuam a apostar na expansão do ecossistema: a Apple acelera os planos para casa inteligente e dispositivos vestíveis, preparando o terreno para futuros motores de produto.

Em março, o dólar americano aumentou de forma significativa sua participação nas transações internacionais. Sua fatia nos pagamentos via SWIFT subiu para um recorde de 51,1%, contra 49,2% em fevereiro. Os dados, divulgados na quinta-feira pela Society for Worldwide Interbank Financial Telecommunication (SWIFT), reafirmam o status do dólar como principal moeda do comércio global.
Esse resultado é o mais elevado desde a revisão metodológica do consórcio belga em 2023. Ele reflete, em essência, uma demanda sustentada por dólares em um ambiente de maior incerteza, sobretudo devido ao conflito em curso entre os EUA e o Irã no Oriente Médio.
A força do dólar ocorre em um contexto de turbulência geopolítica que vem afetando os mercados desde o fim de fevereiro, quando ataques dos EUA e de Israel contra o Irã desencadearam uma liquidação global de ativos de risco, uma forte alta nos preços do petróleo e um movimento de busca por proteção no dólar, segundo a Bloomberg.
Como observa a Bloomberg, os mercados cambiais em março foram "extremamente voláteis". A volatilidade implícita do dólar para um mês atingiu a máxima de dez meses, embora as oscilações tenham posteriormente diminuído à medida que os investidores passaram a precificar a possibilidade de negociações de cessar-fogo e a reavaliar os cenários de risco.

O euro perde participação, o yuan avança, mas ainda abaixo dos máximos históricos.
Nesse contexto, o euro — ainda a segunda moeda mais utilizada nas transações via SWIFT — viu sua participação recuar: em março, caiu para cerca de 21%, ante 22,8% em fevereiro. Na sequência aparecem a libra esterlina, o iene japonês, o yuan chinês e o dólar canadense. A participação do yuan nos fluxos do SWIFT subiu para 3,1% em março, mas ainda permanece abaixo do pico registrado em 2024.
Principais pontos: a mensagem é clara: o aumento da participação do dólar para 51,1% no SWIFT indica uma demanda ainda elevada pela moeda americana nas liquidações internacionais, mesmo em um ambiente de alta volatilidade. A queda da participação do euro sugere que fluxos de capital e pagamentos estão migrando para o dólar, visto como um ativo relativamente mais "previsível" em um cenário de risco geopolítico.
Para os traders, essa dinâmica pode significar maior atividade no mercado cambial: com a incerteza persistente em torno do Oriente Médio, o dólar tende a permanecer no centro das atenções, e a volatilidade pode criar oportunidades de entrada.
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Na sexta-feira, os preços do petróleo continuaram a subir: ambos os principais benchmarks avançaram mais de 1% em meio à paralisação de fato da navegação comercial pelo Estreito de Ormuz e à ausência de progresso diplomático significativo entre Washington e Teerã.
Segundo o Economic Times, nas primeiras negociações na Ásia, os contratos futuros do Brent subiram 1,17%, enquanto o WTI avançou 1,12%. A alta ganhou força nos últimos dias: na quinta-feira, o Brent saltou mais de 3% e fechou acima de $105 por barril.
Vale lembrar: o Estreito de Ormuz é uma das rotas marítimas mais importantes do mundo, anteriormente responsável por cerca de 20% do transporte diário de petróleo e GNL. A situação se deteriorou fortemente após o Irã fechar o estreito no final de fevereiro, em resposta a ataques aéreos dos Estados Unidos e de Israel.
Em 18 de abril, o Irã restabeleceu restrições totais após uma breve reabertura que durou menos de 24 horas. Desde então, o estreito está sob um regime que Teerã descreve como de "gestão e controle rigorosos" pelas forças armadas.

A escalada continuou nesta semana. Na quarta-feira, o Irã atacou pelo menos três navios comerciais no estreito, horas após Trump anunciar a extensão de um cessar-fogo por tempo indeterminado com o país. Os Estados Unidos mantêm um bloqueio naval aos portos iranianos.
Um negociador iraniano afirmou na terça-feira que a retomada da navegação pelo estreito é "irrealista", diante do que descreveu como "violações abertas do cessar-fogo" por parte dos EUA e de Israel. Trump respondeu dizendo que suas decisões estão mantendo o estreito fechado e argumentou que a reabertura permitiria ao Irã ganhar "US$ 500 milhões por dia".
Principais conclusões: enquanto o Estreito de Ormuz permanecer efetivamente fechado ao tráfego comercial e os sinais diplomáticos não conseguirem tranquilizar o mercado, os preços do petróleo devem manter a tendência de alta.
Os traders podem aproveitar a situação monitorando a dinâmica dos contratos futuros e as reações dos preços às notícias sobre restrições na região, mudanças no transporte marítimo e declarações oficiais.

A Tesla informou na quarta-feira que, no primeiro trimestre de 2026, não alterou seu portfólio de criptomoedas: a empresa manteve todos os 11.509 Bitcoins que possuía no início do período. A montadora registrou uma perda por impairment de US$ 173 milhões após impostos. As baixas foram provocadas pela queda no preço da criptomoeda: ao longo do trimestre, o Bitcoin recuou cerca de 22%.
De acordo com a demonstração de resultados, a Tesla não realizou nenhuma transação com Bitcoin durante o primeiro trimestre — não houve compras nem vendas de ativos digitais.
O impairment reflete a movimentação do preço do Bitcoin: a cotação caiu de aproximadamente US$ 90.000 no início do ano para cerca de US$ 68.000 no fim de março. Como resultado, o valor contábil dos ativos digitais da Tesla diminuiu de cerca de US$ 1,008 bilhão para US$ 786 milhões. A queda total foi de aproximadamente US$ 222 milhões antes dos ajustes fiscais.
A empresa trata criptomoedas como ativos intangíveis com vida útil indefinida. A avaliação é feita pelo valor justo, que está atrelado aos preços de mercado.

Apesar do impacto relevante do impairment, ele representou uma parcela relativamente pequena nos resultados gerais da Tesla. No primeiro trimestre, a empresa reportou receita de US$ 22,39 bilhões — alta de 16% em relação ao ano anterior. O lucro operacional (GAAP) foi de US$ 941 milhões, e o fluxo de caixa livre atingiu US$ 1,44 bilhão.
O lucro por ação (EPS) não-GAAP, excluindo itens extraordinários, foi de US$ 0,41. Esse resultado superou as expectativas dos analistas e, segundo relatos, sustentou a alta das ações no pós-mercado.
Principais conclusões:
A Tesla confirmou que manteve sua posição em Bitcoin no primeiro trimestre de 2026: 11.509 moedas permaneceram no balanço, sem necessidade de negociações para refletir as mudanças de mercado nos resultados financeiros. A queda no preço da criptomoeda levou a um impairment de US$ 173 milhões após impostos — um lembrete importante da volatilidade dos ativos digitais e dos riscos de reavaliação contábil.
Os traders podem querer acompanhar eventos corporativos semelhantes: mudanças no valor do Bitcoin mantido por empresas com grandes posições frequentemente afetam o sentimento de curto prazo do mercado e podem amplificar os movimentos de preço.

Segundo o jornalista da Bloomberg, Mark Gurman, a Apple está desenvolvendo seis grandes linhas de produtos que podem expandir significativamente seu portfólio de dispositivos — desde wearables até automação residencial.
Em entrevista ao podcast de tecnologia TBPN, Gurman reuniu informações já divulgadas anteriormente e apresentou o panorama mais completo até agora dos planos de hardware da empresa, às vésperas de uma transição na liderança.
Gurman destacou um display inteligente para casa, conhecido na indústria como "HomePad". Ele acredita que esse dispositivo está mais próximo do lançamento. Espera-se que o aparelho tenha uma tela sensível ao toque de cerca de sete polegadas e um chip A18. A integração profunda com o Apple Intelligence e a Siri deve ser um dos principais destaques.
De acordo com reportagens anteriores de Gurman, o HomePad e vários outros produtos domésticos — incluindo versões atualizadas da Apple TV e do HomePod mini — já estão armazenados há algum tempo, mas tiveram seu lançamento adiado enquanto o software atualizado da Siri era finalizado. As projeções atuais apontam para uma possível apresentação do HomePad no evento de lançamento do iPhone 18, em setembro.

Um segundo projeto importante é uma câmera de segurança com o codinome interno J450. Segundo Gurman, seu lançamento está previsto para este ano. O dispositivo é descrito como um pequeno sensor portátil focado em segurança residencial, devendo incluir reconhecimento facial e sensores infravermelhos.
A câmera é concebida não apenas como um dispositivo de vigilância, mas também como parte de um sistema de automação doméstica. Entre os usos citados por Gurman estão desligar luzes em cômodos vazios e reproduzir músicas adaptadas a um membro específico da família.
Ele também afirma que a Apple pode lançar toda uma linha de câmeras, possivelmente incluindo uma campainha com vídeo equipada com Face ID.
Principais conclusões:
O mercado recebe um sinal claro: a Apple está apostando na expansão de seu ecossistema para além de smartphones e laptops, reforçando os segmentos de casa inteligente e segurança, ao mesmo tempo em que acelera o desenvolvimento de wearables e dispositivos domésticos.
O HomePad parece ser o produto com maior probabilidade de lançamento no curto prazo, e a câmera de segurança J450 é um dos principais lançamentos "deste ano", podendo definir o tom para uma linha mais ampla de produtos.
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