O início de 2026 trouxe uma poderosa onda de volatilidade aos mercados financeiros globais. Uma forte queda do Bitcoin, o colapso nos preços dos metais preciosos e do petróleo bruto e um grande impulso nos investimentos da Oracle ocorreram em meio a um evento-chave: a inesperada nomeação de Kevin Warsh pelo presidente Donald Trump para a presidência do Federal Reserve. A aposta em uma política monetária mais rígida abalou instantaneamente a confiança do mercado, desencadeando liquidações em massa e um reequilíbrio entre ativos de risco e ativos de refúgio.
Este artigo reúne quatro linhas narrativas centrais e mostra como a mudança nas expectativas de juros, os sinais geopolíticos e as estratégias de investimento estão impulsionando a dinâmica de preços no mercado de criptomoedas, nos metais preciosos, no petróleo e nas ações de tecnologia.
O Bitcoin enfrenta o pior período desde 2018 — analistas debatem onde pode estar o fundo.

O mercado de criptomoedas iniciou 2026 em meio a forte turbulência. O Bitcoin encerrou janeiro com queda de 10,17%, registrando o quarto mês consecutivo no vermelho — a mais longa sequência de perdas desde 2018, quando o setor atravessou uma profunda fase de baixa.
No fim de semana, o Bitcoin recuou para US$ 75.600, o menor nível desde abril de 2025, antes de se recuperar levemente para a região de US$ 78.000. Ainda assim, a pressão vendedora permanece elevada.
Um dos principais vetores do movimento recente foi a onda de liquidações de posições compradas em contratos futuros. Segundo dados da Coinglass, as liquidações somaram cerca de US$ 2,56 bilhões em 31 de janeiro. Os detentores de posições longas foram os mais afetados, acumulando aproximadamente US$ 2,42 bilhões em perdas — o décimo maior evento de liquidação da história dos futuros de criptomoedas.
A intriga política em torno da indicação para o Federal Reserve adicionou combustível ao movimento de venda. O presidente Donald Trump nomeou inesperadamente Kevin Warsh, ex-integrante do Fed, como seu candidato à presidência da instituição. Embora Warsh já tenha descrito o Bitcoin como "um bom policial para a política monetária", sua reputação como defensor de uma postura monetária mais rígida acendeu um alerta imediato entre os investidores. O mercado teme um aperto das condições financeiras, fator tradicionalmente negativo para ativos de risco.
Os fluxos institucionais intensificaram ainda mais a pressão. Os ETFs de Bitcoin à vista seguiram registrando saídas expressivas: em 30 de janeiro, o iShares Bitcoin Trust, da BlackRock, teve resgates líquidos de US$ 528,3 milhões. Ao longo das duas últimas semanas de janeiro, as saídas totalizaram US$ 2,82 bilhões, e o mês foi encerrado com um resgate líquido de US$ 1 bilhão. Trata-se do terceiro mês consecutivo de retração institucional no mercado cripto.
O pano de fundo segue instável. A disseminação de riscos geopolíticos, incluindo a possibilidade de uma escalada entre EUA e Irã, somada a uma paralisação parcial do governo norte-americano tem levado os investidores a adotar uma postura mais cautelosa. Segundo a Reuters, o Bitcoin era negociado a US$ 78.719 no sábado à noite, acumulando uma queda intradiária de 6,53%.
As avaliações dos analistas permanecem divididas. PlanC considera que o movimento atual representa a etapa final da correção, com um possível fundo se formando na faixa entre US$ 75 mil e US$ 80 mil. Para ele, "há uma boa chance de estarmos presenciando a capitulação final agora", escreveu na rede X.

Vozes mais conservadoras discordam dessa leitura. Benjamin Cowen, fundador do Cryptoverse, avalia que o mercado entrou em uma fase de baixa plena, que pode se estender até meados de 2026. O veterano trader Peter Brandt projeta uma queda do Bitcoin para US$ 60.000 até o terceiro trimestre do próximo ano, enquanto Durrien Timmer, chefe de pesquisa macro global da Fidelity, espera que 2026 seja um ano relativamente "tranquilo", com possíveis mínimas próximas de US$ 65.000.
Quatro meses consecutivos de queda, grandes eventos de liquidação e saídas expressivas de ETFs sinalizam um elevado nível de estresse entre os investidores. Ainda assim, períodos de incerteza extrema também costumam gerar oportunidades de trading. A volatilidade do BTC pode ser explorada tanto em operações de curto prazo quanto em estratégias de mais longo prazo — desde compras em repiques até apostas em novas quedas. As operações podem ser realizadas no mercado spot ou por meio de contratos futuros, e tanto estratégias de contra-tendência quanto de Momentum tendem a ganhar relevância quando os preços se aproximam de potenciais fundos e a incerteza, alimentada por rumores, permanece elevada.
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Pânico nos metais preciosos: ouro, platina e paládio despencam
O complexo de metais preciosos entrou em choque no início da semana. Na segunda-feira, o ouro, a platina e o paládio caíram drasticamente, mais de 3% no intraday, dando continuidade à liquidação que começou no final da semana passada.
A liquidação foi impulsionada por fatores políticos, expectativas monetárias e ações cambiais — fatores que, juntos, produziram a maior queda desde o início do ano.
O gatilho: o presidente Trump nomeou Kevin Warsh para presidir o Fed, substituindo Jerome Powell, cujo mandato termina em maio. Warsh é visto como um defensor de uma política mais restritiva, e sua nomeação fortaleceu o dólar, tradicionalmente negativo para os metais preciosos cotados em dólares.
A Reuters informa que a platina caiu mais de 4%, para cerca de US$ 2.074/onça (ela havia atingido um recorde de US$ 2.918,80 em 26 de janeiro). O paládio caiu mais de 3%, para cerca de US$ 1.601/onça. O maior choque foi o ouro, que despencou quase 5%, para cerca de US$ 4.600/onça, segundo a Bloomberg, a maior queda diária do ouro em quase 40 anos.
Analistas da CNBC afirmam que a indicação de Warsh corresponde às expectativas de Wall Street: ele é visto como uma figura confiável, capaz de fortalecer a credibilidade do Fed. Mas os mercados imediatamente precificaram uma política mais restritiva, provocando uma onda de realização de lucros após as altas recordes no início do mês.

A pressão de margem amplificou o movimento. O CME Group elevou os requisitos de margem para os futuros de metais preciosos — o segundo aumento em apenas três dias. A partir do pregão seguinte, a margem do ouro subiu de 6% para 8%, a da platina de 12% para 15% e a do paládio de 14% para 16%. O CME justificou as elevações como necessárias para "garantir a estabilidade das negociações em um ambiente de elevada volatilidade".
O quadro é claro: um pivô hawkish na indicação para a presidência do Fed fortaleceu o dólar e desencadeou uma correção expressiva no ouro, na platina e no paládio. Ao mesmo tempo, a volatilidade cria oportunidades para traders. Tanto a especulação de curto prazo quanto estratégias de prazo mais longo podem se mostrar lucrativas, a depender do perfil de risco e da abordagem adotada. Monitorar de perto os comentários do Fed e os movimentos do dólar será fundamental para antecipar a direção dos metais preciosos nos próximos dias.
Em paralelo, a Oracle se prepara para uma grande rodada de financiamento voltada à expansão de sua infraestrutura de nuvem para inteligência artificial, com um volume potencial de até US$ 50 bilhões.

Em 2026, a empresa planeja captar até US$ 50 bilhões para ampliar sua presença no mercado de computação em nuvem. Os recursos devem financiar a crescente demanda de grandes players de IA, como Meta, NVIDIA, OpenAI e TikTok. Caso se concretize, a operação estará entre as maiores captações de capital corporativo da história.
Segundo comunicado da Oracle, a companhia pretende levantar entre US$ 45 bilhões e US$ 50 bilhões para cumprir obrigações contratuais com clientes de grande porte da Oracle Cloud Infrastructure (OCI), incluindo AMD, Meta, NVIDIA, OpenAI, TikTok e xAI. O foco do investimento será infraestrutura baseada em GPUs e a modernização de data centers, a fim de suportar a rápida expansão dos workloads de inteligência artificial.
A estrutura de financiamento combinará dívida e capital próprio. A Oracle planeja lançar um programa de ações at-the-market (ATM) de até US$ 20 bilhões, permitindo captação gradual a preços de mercado, além da emissão de títulos preferenciais conversíveis, que representarão uma parcela menor do componente acionário. O restante virá da emissão de títulos sênior não garantidos, com grau de investimento, prevista para o início de 2026. A empresa afirmou que não planeja assumir novos endividamentos neste ano além dessa emissão principal.
O Goldman Sachs liderará a colocação dos títulos, enquanto o Citigroup ficará responsável pelo programa de ações at-the-market (ATM) e pelos títulos conversíveis. Com isso, a Oracle garantiu o apoio de dois dos maiores bancos de investimento globais.
O impulso de investimentos acompanha um pico na demanda por soluções de inteligência artificial. A Oracle elevou sua projeção de capex para o ano fiscal de 2026 a um recorde de US$ 50 bilhões, adicionando US$ 15 bilhões aos planos anteriores. Apenas no segundo trimestre, a empresa desembolsou US$ 12 bilhões em data centers e hardware de GPU.
A carteira de clientes da Oracle também segue em rápida expansão. O Wall Street Journal relata que a OpenAI concordou em adquirir cerca de US$ 300 bilhões em recursos de nuvem da Oracle ao longo de aproximadamente cinco anos — um dos maiores acordos de computação em nuvem da história. Já a Reuters afirma que a Meta negocia um contrato plurianual estimado em cerca de US$ 20 bilhões.

Apesar dos planos agressivos, a Oracle enfatiza que preservará sua classificação de grau de investimento e manterá estabilidade e transparência financeiras. As ações da companhia têm mostrado volatilidade recentemente, à medida que os investidores avaliam o aumento da alavancagem e os gastos expressivos em infraestrutura. Ainda assim, a empresa vem se posicionando para desempenhar um papel central no cenário em evolução da inteligência artificial. Nesse contexto, traders podem aproveitar a volatilidade atual para buscar pontos de entrada nas ações da Oracle. A estratégia de longo prazo, a base de clientes de peso e os investimentos em infraestrutura tornam o papel atrativo tanto para operações de curto prazo quanto para alocação em carteira. Vale acompanhar de perto as emissões de ações e dívida, bem como os anúncios de novos contratos ligados à IA.
Petróleo recua com esperanças de abrandamento das tensões entre os EUA e o Irã

Os mercados petrolíferos despencaram no início da semana, com investidores realizando lucros após um abrandamento inesperado da retórica entre Washington e Teerã. A declaração do presidente Trump de que o Irã está "negociando seriamente" com os EUA retirou grande parte do prêmio geopolítico embutido nos preços do petróleo e desencadeou uma correção acentuada.
O Brent recuou quase 5%, para perto de US$ 66 por barril, enquanto o WTI caiu mais de 5%, para a região de US$ 62 por barril, as maiores perdas diárias em mais de seis meses.
O movimento ganhou força depois que Trump afirmou a repórteres que o Irã estaria levando as negociações a sério, horas após uma postagem no X do ex-oficial de segurança nacional iraniano Ali Larijani sinalizando engajamento diplomático. Embora o líder supremo do Irã, aiatolá Khamenei, tenha alertado no domingo que uma agressão dos EUA poderia desencadear uma "guerra regional", Trump minimizou o tom da declaração e demonstrou otimismo quanto a um acordo, especialmente em relação ao programa nuclear iraniano.

A curto prazo, isso pode marcar o fim da alta do petróleo impulsionada pelos temores de conflito no Oriente Médio. Os traders devem acompanhar as declarações políticas de ambos os lados para avaliar se a desaceleração é duradoura.
A volatilidade do petróleo cria oportunidades de negociação: lucre com vendas de curto prazo ou recuperações se o discurso se tornar mais agressivo. Combinar a análise técnica com o fluxo de notícias será fundamental para o sucesso.
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