Tudo o que é novo é apenas o velho bem esquecido. Na virada de 2025 para 2026, o mercado acionário dos EUA passou por uma rotação. A força da economia americana deu sustentação a um movimento de saída das ações de tecnologia em direção às empresas de menor capitalização. O índice Russell 2000 superou o S&P 500 em sua mais longa sequência de ganhos desde a década de 1990.
No entanto, com a aproximação da divulgação dos resultados corporativos das chamadas Sete Magníficas, os investidores foram obrigados a reavaliar suas posições. Caso os lucros surpreendam positivamente, talvez seja o momento de retornar aos antigos líderes.
Dinâmica do S&P 500 com ponderação igualitária e ponderação de mercado
Um pequeno grupo de emissores responde por mais de 30% da capitalização de mercado do S&P 500. A versão do índice igualmente ponderada vem superando o índice tradicional desde o início do ano, impulsionada pelo desempenho das empresas de menor capitalização. Mas e se os integrantes das chamadas Magnificent Seven conseguirem surpreender com a elevada eficiência de seus investimentos colossais em tecnologias de inteligência artificial? Nesse caso, um interesse renovado pelos antigos líderes poderia desencadear um movimento de FOMO (Fear of Missing Out — medo de ficar de fora).
No início da corrida pela IA, o retorno sobre o investimento das gigantes de tecnologia foi expressivo, sustentando sua liderança no mercado. Com o tempo, esses retornos passaram a diminuir, enquanto as small caps ganharam força. Essa dinâmica, combinada com a melhora dos indicadores macroeconômicos, deu início ao processo de rotação setorial.
Dinâmica dos lucros das Sete Magníficas e de outras empresas do S&P 500

O interesse na temporada de resultados das gigantes de tecnologia é tão elevado que o S&P 500 vem ignorando grande parte do noticiário negativo. Ainda assim, o ambiente político nos EUA permanece tenso: após os assassinatos e protestos em Minnesota, volta a pairar sobre o país o risco de uma nova paralisação do governo. Os democratas não estão dispostos a apoiar o financiamento das políticas anti-imigração de Donald Trump e, após 31 de janeiro, o governo pode entrar novamente em "férias forçadas". A Polymarket estima em 78% a probabilidade desse cenário.
Caso a paralisação se concretize, ela pode desacelerar o crescimento econômico dos EUA e pressionar o mercado acionário, de forma semelhante ao movimento recente de rotação para ativos não americanos em meio às incertezas relacionadas às políticas de Trump.
Ainda assim, os traders que apostam na alta do S&P 500 não se deixaram dissuadir pelo caso da Intel. Quando a Casa Branca prometeu à empresa US$ 9 bilhões, muitos investidores enxergaram o início de uma nova fase, esperando que o aporte impulsionasse as ações em até 120% ao longo de cinco meses, com base no aumento da produção de chips. Na prática, porém, a Intel não estava preparada para a explosão da demanda por processadores voltados a data centers de inteligência artificial. A frustração com esse descompasso resultou em uma forte queda nas ações da companhia.

Se algo semelhante acontecer com emissores maiores, incluindo a NVIDIA, o índice geral de ações poderá enfrentar uma correção significativa.
Tecnicamente, o gráfico diário do S&P 500 mostra uma combinação de duas barras doji. As posições de compra formadas em 6.935 podem ser aumentadas se os níveis de resistência em 6.965 e 6.985 forem rompidos com sucesso.
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